O poder de uma crença

Conversando essa semana com um amigo sobre as escolhas que fizemos na vida, percebi o qual prejudicial para a minha vida foi ter a crença de que eu não era bom com números.

Passados mais de 22 anos desde a fatídica 5ª série, onde pela primeira vez na vida eu peguei uma recuperação, eu percebi o quão danosa para mim foi essa crença. Após a quinta série, eu simplesmente admiti que eu era péssimo com números, e isso incluía todo tipo de conta: matemática, álgebra, trigonometria, química, física, estatística e finanças – e mais qualquer tipo de disciplina ou área que tivesse conta.

Hoje, com mais experiência e sabedor de alguma coisa sobre o comportamento humano, sei que sofri do clássico caso de crença limitante, onde a convicção de algo interferiu diretamente do meu julgamento sobre outro algo.

No meu caso, durante anos eu acreditei piamente que era péssimo com números.

Toda crença é uma parte subjetiva do nosso julgamento, aquilo que acreditamos com sentimento de verdade, de certeza, mesmo que não haja nenhuma evidência factual e concreta que confirme o que acreditamos.

Acreditamos porque nos convencemos verdadeiramente sobre algo.

crençaNo meu caso, a construção da minha crença de que eu era péssimo com números seguiu exatamente a fórmula clássica de criação de crenças: um conjunto de informações conectadas  a um determinado estado emocional.

A primeira coisa que eu me lembro é de começar a não estudar e não prestar atenção a matéria e nem a explicação do professor. E é engraçado que eu parei de prestar atenção por uma outra crença que adquiri na época: eu não precisava dedicar tempo para estudar matemática porque eu não precisa, afinal, eu era muito bom na matéria e poderia não estudar. Mais um exemplo de uma crença positiva que teve um resultado negativo para aquilo que eu queria: passar de ano.

Pois bem, eu não estudava e nem prestava atenção na aula e com isso as minhas notas foram caindo, caindo e quando eu percebi, não adiantava mais estudar pois eu já estava muito atrás dos meus colegas de classe, colegas que começaram a implicar com os meus péssimos resultados.  Perceba que tudo isso aconteceu ao longo de um ano escolar, de maneira que eu não percebi conscientemente a construção deste crença e no final do ano letivo eu tive a convicção de que eu era uma pessoa de humanas e não de exatas.

Veja que nesse caso, a minha crença tinha três evidências: não entendimento da matéria, resultado ruim nas provas e a opinião das pessoas que em cercavam.

Eu construí um crença limitante e nem sabia disso!

No meu caso, a crença de que era ruim com números levou ao meu total desinteresse por toda e qualquer matéria que tivesse números nos anos seguintes. Eu não estuda e continuava não prestando atenção aos professores e com isso o meu desempenho continuava horroroso e isso ia apenas fortalecendo cada dias mais a minha visão sobre mim mesmo quanto a números. ODIAVA

Do outro lado, eu arrebentava na área de humanas! Meu desempenho sempre foi muito acima da média, quanto mais eu estuda mais eu gostava e mais recebia um retorno positivo das pessoas ao meu redor. Logicamente, essa situação criou uma crença em mim: era foda de humanas! Uma máquina!

Não me lembro de um ano após a quinta-serie que eu não tenha tido serias dificuldades nas matérias que envolviam números. Era comum eu pegar recuperação e exames finais em matemática, física e química, e eu tenho certeza de que eu só passava de ano porque eu tinha resultados expressivos nas outras matérias.

O meu asco a números foi tão grande que eu escolhi cursar Comunicação Social com ênfase em Propaganda e Marketing só porque eu achava que eu não teria mais que trabalhar com números. Ledo engano!

Tive matérias como estatística, finanças e pesquisa, todas com uma carga exata enorme. Consegui o resultado que precisava nessas matérias, mas a muito custo!

Fui para o mercado de trabalho e sempre procurei por oportunidades em que não haviam muitos contatos com números, mas invariavelmente, todos os meus empregos tinham contas, cálculos, projeções, balanços e relatórios numéricos e adivinhem só?

Eu era bom sim com números! Só precisava vê-los aplicados!

Isso foi um big bang na minha mente, e eu comecei a buscar mais e mais conhecimentos o que acabou fazendo a minha performance nos meus trabalhos subir e com isso uma nova crença se formou: a de que eu era bom com números desde que eu conseguisse enxergar a utilidade prática deles. Com isso, eu substitui uma crença limitante por uma crença positiva.

Como consequência do meu novo talento recém descoberto, eu comecei a estudar administração, economia e pasme (!!!) física, química e áreas derivadas.

O ponto chave foi entender que a minha crença era baseada numa interpretação subjetiva de um fato isolado que eu transformei como verdade absoluta. Conforme eu fui quebrando os pilares que sustentavam a minha crença – e eles foram quebrados com os mesmo elementos que a crença anterior foi criada – eu comecei a acreditar em algo novo, que foi extremamente positivo para o meu desempenho pessoal.

Hoje, ciente de que todos nós somos um saco de crenças ambulantes eu sempre me questiono: o que eu acredito é positivo para aquilo que eu desejo?

Se a resposta for sim, eu sigo acreditando.

Mas se não for, eu me pergunto:

O quanto ela me distância daquilo que eu quero?

O quanto me custa não ter o que eu desejo?

Essas são duas perguntas básicas que sempre me ajudam a entender o meu comportamento e quem eu tenho que ser para ser quem eu quero ser.

Formado e pós graduado em marketing, trabalhou na área até cansar de viver uma vida de bosta sem sentido algum e decidir largar tudo pelo seu sonho de ajudar as outras pessoas a terem uma vida tesuda através do autoconhecimento e ação. Além disso, gosta de negócios, esportes, cerveja, charutos e todo o tipo de coisa nerd. É co-fundador do Geração de Emprego e é headhunter profissional e por vocação.

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