Perdi a esperança. E agora?

Ah, a esperança!

Segundo o Arquiteto de Matrix, a quintessência da razão humana! A mesma esperança que nos move, nos arrasa, como uma âncora invisível. Nos aprisiona a uma única visão, terceiriza a responsabilidade sobre a nossa vida ao mesmo tempo que nos mantém de pé, firmes e fortes. Certos de que nada do que não queremos acontecerá.

Ah, a esperança!

Que segundo consta:

“A raiz indo-europeia da palavra esperança é spe, que significa expandir, aumentar, ter êxito, levar qualquer projeto adiante, seja ele de ordem física ou psíquica. Spe dará em latim spes e daí a nossa esperança. Da mesma etimologia, temos pro-spere que significa prosperar, evoluir conforme o esperado, tornar-se próspero. Esta expectativa em direção ao futuro nas palavras derivadas da raiz spe, originalmente, estava ligada a bons resultados: êxito, bonança e felicidade futuras.” – Franklin Cunha

Fugindo de qualquer viés religioso, esperança é uma crença na possibilidade de que algo é possível mesmo quando há indicações lógicas e racionais do contrário. Geralmente, este “algo” é positivo e proveniente de um evento ou circunstâncias inesperadas. A esperança é muito parecida com fé, a diferença é que a fé vem de algo especifico, que se adora e ama, como uma divindade, enquanto a esperança vem da crença emocional de que a situação melhorará sem ter uma origem específica. Como se fosse um milagre, mas sem uma divindade por trás.

O grande problema da esperança, é que ela pode mascarar uma realidade de dor e desespero. Quando não há mais esperança somos estapeados pela realidade nua e crua dos fatos, não há subjetividade na ausência da esperança: tudo é cru e racional, como uma planilha de excel.

Quando a esperança se vai, nada de positivo passa pela nossa cabeça – não se perde a esperança por algo ruim, esperando que o melhor aconteça – perdemos a esperança e vivemos uma realidade alternativa de medo e desespero.

Medo e desespero. Não existe esperança sem os dois.

Espinosa, em Ética, já dizia:

Optimized-Cadê a esperança-“A esperança é uma alegria inconstante, nascida da ideia de uma coisa futura ou passada, de cujo desenlace duvidamos em certa medida.

O medo é uma tristeza inconstante, nascida da ideia de uma coisa futura ou passada, de cujo desenlace duvidamos em certa medida.

Segue dessas definições que não há esperança sem medo, nem medo sem esperança. […] Quem está suspenso na esperança e duvida do desenlace teme enquanto espera, e quem está suspenso no medo e duvida do que possa acontecer espera enquanto teme.”

Já sobre medo, Zygmunt Bauman, em Cegueira Total diz;

“Existem, e sempre existiram, em todas as épocas, três razões para ter medo. Uma delas era (e continuará a ser) a ignorância: não saber o que vai acontecer em seguida, o quanto somos vulneráveis a infortúnios, que tipo de infortúnios serão esses e de onde provêm. A segunda era (e continuará a ser) a impotência: suspeita-se que não há nada ou quase nada a fazer para evitar um infortúnio ou se desviar dele, quando vier. A terceira era (e continuará a ser) a humilhação, um derivado das outras duas: ameaça apavorante a nossa autoestima e autoconfiança quando se revela que não fizemos tudo que poderia ser feito, que nossa própria desatenção ao sinais, nossa indevida procrastinação, preguiça ou falta de vontade são em grande parte responsáveis pela devastação causada pelo infortúnio.”

Não existe esperança sem medo e não existe medo sem esperança. Onde existir um, haverá o outro. Quando a esperança se vai, somos deixados a sós com os nossos medos e isso é apavorante. É apavorante não só pelo medo em si, mas pela sensação de que nada vai mudar.

E aqui reside uma pequena pegadinha incutida no nosso inconsciente: nada vai mudar sozinho, teremos que fazer algo.

“- Mas como fazer algo, se não há esperança de melhora?”, você me pergunta.

Irônico não é verdade?

Quando a esperança se vai, a nossa ausência é escancarada e a mente prega peças maquiavélicas. Justo ela, que deveria nos ajudar em momentos tão difíceis.

É engraçado que a crise pela falta de esperança vem de uma crise de pensamentos sobre a vida e não necessariamente uma crise de vida.

Para sair desse enlace ilusório, que mais parece um beco sem saída de filme de terror, temos duas escolhas, na verdade uma só, que desencadeiam duas alternativas.

A única escolha que você tem é agir. Ops! Não fazer nada também é uma escolha, mais não fazer nada pode ser uma continuação da desesperança. Escolhendo agir você tem duas estratégias básicas:

- Resiliência simples: Resiliência é a palavra da moda no mundo dos negócios, mas nesse contexto quer dizer: continue em frente, mesmo que tudo indique o contrário. O termo “simples” serve justamente para que não haja desvios no que precisa ser feito. Se ser resiliente parecer algo sem sentido para você, pense em disciplina.

Exemplo de resiliência simples: está desempregado? Foco total em conseguir um trabalho que pague as contas. Não interessa outro tipo de atividade que não seja te levar onde deseja.

- Ajude alguém: Dê, genuinamente, aquilo que você não tem e você receberá de volta aquilo que precisa.

Parece complexo, irreal na verdade, mas ao gerar valor genuíno para alguém, contribuindo para algo de positivo na vida de uma pessoa, algo de significativo, uma nova energia surgirá e dessa energia brotará a sua esperança. É óbvio, que você não recuperará a sua esperança da noite para o dia, mas um primeiro passo deve ser dado. Quando falamos de esperança, falamos também de autoestima e podemos usar a mesma estratégia de aumento de autoestima, para trazer a nossa esperança de volta.

Algumas situações que levam a nossa esperança para o caralho

Nada dá certo.

É normal para qualquer ser humano se foder na vida de vez em quando. Simplesmente as coisas não dão certo de jeito nenhum por melhor que se faça. Ok, para se saborear a vitória é necessário conhecer a derrota e blá,blá,blá. Mas tem gente que não vence nunca e isso acaba sugando a autoestima e a esperança da pessoa lentamente. A cada nova derrota ou insucesso um nível a menos de autoconfiança.  Acredito que isso ocorra por basicamente três motivos: alta expectativa, falta  de planejamento e um objetivo irrelevante.

- Altas expectativas: Ego. Esse lindo. Muitas vezes as nossas altas expectativas tem origem no chamado “ego inflado”, onde se tem um visão distorcida e irreal de si mesmo e do poder de realização próprio. Nos achamos o Super-Homem, quando na verdade temos o poder de realização de um Justiceiro – o Batman pobre. Nada contra o Justiceiro, eu acho ele dá hora, mas frente ao Super-Homem ele é uma criança desnutrida. Ter uma visão real de si mesmo, saber do real poder de realização é um dos fatores básicos para não se criar altas expectativas sobre si e sobre o que pode ser feito ou não. Ter uma visão realista do todo também é um fator preponderante para não cair frente a algo esperado, mas não realizado. É óbvio que coisas fora do esperado acontecem, tanto positiva, como negativamente, mas não se tem controle sobre elas, certo senhor mágico?

- Falta de planejamento: Não adianta se conhecer bem, saber o que se pode ou não fazer, ter um objetivo de vida tesudo, que vai mudar o mundo e não colocar ele em prática sem planejamento. Saber quais recursos serão necessários, quais serão as etapas e processos, quando, com quem e onde, são elementos fundamentais para se alcançar algo e por consequência, manter autoestima e esperança sempre em alta. Falta de planejamento está diretamente ligado a um objetivo ou propósito de vida de merda.

- Objetivo de vida irrelevante: Se você não tem um objetivo  de vida, ou tem um que não te desafia o suficiente, que não te dá o retorno e reconhecimento que você deseja, sinto muito, mas o seu objetivo ou meta é uma farsa, e provavelmente, está apenas te distraindo e entretendo. Isso pode ser um mecanismo de defesa da própria mente, que não quer correr o risco de se lançar em algo incerto e se machucar ou pode ser simplesmente falta de conhecimento sobre o assunto. O fato é que a vida se transforma numa corrida de ratos, onde todos os dias são iguais e pouco desafiadores. Pano de fundo propicio para o desaparecimento da esperança.

A culpa é dele, dela, de X, Y, Z…

Se a tudo o que aconteceu de bom ou ruim na sua vida é culpa de alguém, você tem um terreno fértil para a desesperança. Afinal, tudo na sua vida é resultado das ações, planos e objetivos de outrem e não seus. Isso leva a uma sensação de impotência, irrelevância, o que afeta diretamente a nossa autoestima e autoconfiança, e por consequência a nossa esperança. Muitas coisas na vida acontecem por intermédio ou mesmo ação direta de outras coisas e pessoas, querendo nós ou não, mas muita coisa, talvez, a maioria está nas nossas mãos, sob nossa responsabilidade.

Seja por um milissegundo ou pelo resto da vida, todos nós já perdemos a esperança.

E todos nós a recuperamos, por um milissegundo ou pelo resto da vida.

 

Formado e pós graduado em marketing, trabalhou na área até cansar de viver uma vida de bosta sem sentido algum e decidir largar tudo pelo seu sonho de ajudar as outras pessoas a terem uma vida tesuda através do autoconhecimento e ação. Além disso, gosta de negócios, esportes, cerveja, charutos e todo o tipo de coisa nerd. É co-fundador do Geração de Emprego e é headhunter profissional e por vocação.

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